Cientistas húngaros descobriram que o cérebro dos cães consegue dividir o fluxo contínuo da fala em palavras a partir dos sons das consoantes. Até agora, essa habilidade, que permite identificar onde uma palavra termina e a outra começa, só tinha sido encontrada em humanos.
O estudo, liderado pela Universidade Eötvös Loránd, na Hungria, foi publicado na revista Science na quinta-feira (24).
Participaram 20 pessoas e 20 cães de companhia. Os dois grupos ouviram sequências de fala sem pausas, como acontece na conversa do dia a dia, e os pesquisadores encontraram semelhanças na resposta do cérebro das duas espécies.
“Nos fluxos de fala estruturados em consoantes, o cérebro dos cães, assim como o cérebro humano, sincronizou-se com sucesso com o ritmo das palavras. Esta é a primeira evidência de que uma preferência por consoantes também pode surgir no cérebro de uma espécie diferente da humana”, afirma a coautora Kinga G. Tóth.
Para os pesquisadores, o resultado sugere que processar bem a fala não depende só das habilidades de linguagem exclusivas dos humanos: a convivência constante com a fala pode moldar o funcionamento do cérebro mesmo em espécies distantes da nossa.










