Home / Notícias / Anvisa autoriza teste em humanos da vacina de mRNA da Fiocruz

Anvisa autoriza teste em humanos da vacina de mRNA da Fiocruz

Anvisa autoriza teste em humanos da vacina de mRNA da Fiocruz

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou a realização de estudo clínico em humanos da vacina de mRNA contra a covid-19 desenvolvida pela Fundação Oswaldo Cruz. A decisão consta da Resolução-RE nº 3.253, de 18 de agosto de 2026, publicada no Diário Oficial da União. O mesmo ato liberou a continuidade e o início de outros ensaios clínicos com medicamentos experimentais de diferentes laboratórios.

A tecnologia de RNA mensageiro instrui células do organismo a produzir uma proteína do vírus, o que leva o sistema imune a reconhecê-la e a montar resposta contra ela. Foi a plataforma usada nas primeiras vacinas contra a covid-19 aplicadas em larga escala no mundo. O imunizante da Fiocruz agora autorizado foi desenvolvido em território brasileiro.

O que a autorização significa

A liberação da Anvisa é uma etapa regulatória, não um resultado. Ela permite que o imunizante passe a ser testado em voluntários humanos dentro de um protocolo aprovado. Para conceder a autorização, a agência avalia se os riscos previstos para os participantes são aceitáveis diante dos benefícios esperados e se o desenho do estudo atende às normas de pesquisa clínica.

Nenhum dado de eficácia ou de segurança da vacina em pessoas foi divulgado com a resolução, porque os testes ainda serão conduzidos. Vacinas percorrem em geral três fases de ensaio clínico antes do pedido de registro: a primeira mede segurança em grupo pequeno, a segunda avalia resposta imune e dose, e a terceira testa proteção contra a doença em milhares de voluntários. O tempo entre a autorização e uma eventual aprovação para uso depende dos resultados de cada etapa.

Outros estudos liberados no mesmo ato

A resolução também autorizou pesquisas com um conjunto amplo de medicamentos experimentais e já registrados, entre eles pembrolizumabe, litifilimabe, gedatolisibe, imzokitug, adagrasibe, astegolimab, povetacicept, selpercatinibe, venglustat, efruxifermina, minoxidil e xaluritamig, submetidos por empresas como MSD, Bristol-Myers Squibb, Roche, Sanofi, AstraZeneca, Amgen, Eli Lilly, Vertex e GSK.

Autorizações desse tipo são publicadas periodicamente pela Anvisa e reúnem tanto pedidos de início de novos estudos quanto emendas a protocolos já em andamento. A inclusão de um produto na lista não indica que ele tenha demonstrado benefício, apenas que o ensaio pode ser conduzido no país sob supervisão regulatória.

A Fiocruz mantém há anos linha de pesquisa própria em plataformas de vacinas e já produz imunizantes distribuídos pelo Programa Nacional de Imunizações. O desenvolvimento nacional de tecnologia de mRNA é apontado por instituições de pesquisa como caminho para reduzir dependência externa em situações de emergência sanitária, quando a disputa internacional por doses limita o acesso de países que não fabricam o produto.

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *