Pesquisadores do Instituto Terasaki de Inovação Biomédica, nos Estados Unidos, criaram uma lente de contato inteligente capaz de identificar sinais de estresse nas lágrimas. Flexível e reutilizável, ela tem um sensor que mede os níveis de serotonina, substância ligada à resposta do corpo ao estresse.
“As lágrimas carregam mais informações sobre o nosso corpo do que a maioria das pessoas imagina”, disse ao jornal O Globo Minwoo Kim, primeiro autor do estudo, publicado na revista Science Translational Medicine. A ideia é transformar a lente num laboratório em miniatura, sem agulha nem coleta de sangue.
O sensor usa ferroceno, composto que reage com a serotonina e gera um pequeno sinal elétrico. Ele detectou concentrações de até 72 picomolares, cerca de 200 vezes mais sensível do que o necessário para os níveis normais nas lágrimas humanas.
Em camundongos sob estresse crônico, a serotonina nas lágrimas caiu e o cortisol subiu. Num teste inicial com dez voluntários, a serotonina também baixou durante uma atividade estressante e voltou ao normal depois. O sensor manteve a precisão por até 400 usos.
Os cientistas agora querem uma versão sem fio, que meça e transmita os dados em tempo real. Antes de chegar aos consultórios, porém, a tecnologia ainda precisa de estudos com grupos maiores e mais diversos.










